quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Gota a Gota

As pedrinhas jogadas no balde fazem a água transbordar e cair na terra seca. A semente já foi jogada. Logo nascerá. Os frutos podres fazem o ar ficar mal cheiroso e afasta tudo que há de bom no entorno do balde. Os urubus rondam o ambiente, atraídos pelo odor. Os galhos fétidos da maldita erva trepam no balde e lhe escondem a luz e o calor do sol. Esfriam a água. Pequenas gotas de chuvas temporárias tentam manter o nível da água. Mas logo novas pedras são jogadas e a erva ganha nova força e novos frutos. Os espinhos duros e enferrujados espetam sem dó. Pequenos furos começam a se desenhar na superfície do balde. A ferrugem deixa o recipiente doente. Novas chuvas até tentam alimentar a erva buscando manter a vida do pobre balde. Em vão. Volta a trabalhar jardineiro. Pega a tua enchada e teu rastelo. Arranca a erva. Tira as pedras de dentro do balde. Deixa as núvens de inverno encherem o balde. Deixa o sol do verão aquecer a água. Deixa as coisas boas voltarem pra perto do balde. Mas se nada disso tiveres coragem de fazer... tira o balde do teu jardim. Não deixa ele se despedaçar. Prefira a saudade aos meros vestígios.

2 comentários:

Diogo Silva de Oliveira disse...

Pegue o balde e faça uma arte pós-moderna. Nunca mais chame de balde.

Mau Santô disse...

O balde nunca é retirado do jardim sem que antes tudo que ele foi seja destruído, toda a importância de outrora se torna questionável, a importância que ele teve, quase que crucial se perde no mar de coisas que o cotidiano fez, e o que somos nos além de baldes, baldes rezando pra ser encontrados e não partidos.
Depois nos falamos, estou pondo o meu de volta ao jardim.