segunda-feira, 7 de abril de 2008

Nem sempre um dia qualquer

Hoje o dia começou da mesma forma que começou nos inúmeros finais de semana de minha vida, com festa. Esta, porém, foi especial. Tratava-se do aniversário de Arianne, uma amiga da faculdade e dos bares da redondeza.
O estilo rústico e requintado do ambiente parecia transportar todos os presentes para uma outra dimensão onde as pessoas são mais calientes, as músicas mais dançantes, a comida mais picante e a cerveja mais gelada, sem esquecer, claro, dos garçons que ao contrário de tantos outros, não deixava meu copo seco.
Era exatamente 00h01min do domingo quando levantamos e cantamos um entusiasmado “parabéns” em ritmo de samba. Não poderia esquecer, entretanto, de uma outra música cantada por um coro de, mais ou menos, 90 pessoas: “Com quem será? Com quem será? Com quem será que Arianne vai casar?”.
Olhei para o lado e avistei a aniversariante num demorado e afável abraço com sua irmã. Lembrei do longo tempo que via minha família e contei, mentalmente, os dias que faltavam para revê-la. A saudade me fez acender um cigarro e tomar um gole da cerveja que acabara de chegar, gelada.
À minha volta estavam Sarah, fiel companheira, Andréia, que teria grande importância no decorrer do dia, Larissa, uma amiga que mora comigo e que se auto-intitula minha esposa e Alana, a irmã abraçada. Os minutos iam passando rapidamente e logo me chamaram para levantar da cadeira e cair no samba, sambei.
O suor escorria e já não existia mais nenhum tipo de protocolo ou “educação”. Uma garçonete, morena, bonita, parecia ter me descoberto entre a multidão por algum motivo. Acho que se cansou de encher meu copo. Nesse momento já me entregava as garrafas para que eu mesmo fizesse isso, agradeci.
No meio da festa já não percebíamos mais a presença da aniversariante. Só depois fiquei sabendo que tinha ido dançar arrocha num bairro da periferia da cidade. Enquanto isso, sambei, cantei, conversei, abracei, beijei.
Por volta das 03h30min da manhã fui expulso da festa por uma amiga que ficou responsável pelo evento após o sumiço de Arianne. Com gritos de “sai” ela mandava que me levantasse da cadeira. Saímos e fomos à direção de um outro bar da cidade. Sentei por alguns minutos, conversei, abracei, e beijei e fui embora.
Durante o percurso paramos na ponte para esperar uma colega que nos acompanhava. Escutávamos vozes, mas não tínhamos nenhuma sugestão do que pudesse ser. Ou melhor, até tínhamos. Após alguns minutos chegou a esperada amiga e continuamos o percurso até nossas casas.
O banho quente e demorado tirou-me todo o sono. Fui para a cama e “assisti televisão” até as 6h30min da manhã, dormi. Exatamente três horas depois fui acordado pelo barulho de uma caminhada que parecia ter algum fim social e assustei-me com o ambiente do quarto desconhecido. A partir desse momento o tempo pareceu estar cronometrado no resto do dia.
11h30min. Comia uma lasanha muito ruim feita por uma amiga. Quando ela me perguntou uma nota e pediu que fosse sincero, não fui. Entretanto esta foi a única refeição de todo o dia. Despedi-me de todos, inclusive da aniversariante desaparecida e fui embora, dessa vez para minha casa.
Tomei banho e fiz a barba que já começava a incomodar. Tinha sono, mas não tinha vontade de dormir. Afinal era domingo.
Coloquei uma roupa qualquer e fui pra casa de Sarah, a fiel companheira. Chegando lá a encontrei dormindo abraçada à boneca. Sarah usava uma camisola preta, que a deixava quase despida me fazendo perceber seu belo par de pernas. Andréia, deitada na cama ao lado passou mal durante toda a noite e continuava com fortes dores no estômago. Ela tinha roubado um prato de farofa na cozinha do bar que juntava as sobras da festa. O que ela não sabia, e a revelei naquele momento de dor, era que devido à falta de cinzeiros na mesa, estava usando o prato para depositar as cinzas do meu cigarro.
15h45min. Dava socos na porta do banheiro a fim de apressar o banho de Sarah enquanto convencia Andréia de que não era o culpado pelas fortes dores em seu estômago.
Após um longo tempo de espera pude, enfim, sair em direção ao bar. Em companhia das colegas da última madrugada, ia em direção ao bar que aconteceu o aniversário. Sobraram oito cervejas, e tínhamos que cortar a ressaca. Bebemos um pouco, conhecemos os presentes e comemos o bolo. Decidimos ir para outro bar. Mal sabia eu que a boêmia me esperava.
16h20min. Sentamos à mesa e o garçom logo nos atendeu. Mais cerveja. Chovia. Os pingos que molhavam meu rosto pareciam me tirar a vontade de beber, pensava em ir para casa, ilusão.
A música alta que saia do carro já nos fazia dançar e beber mais que o esperado. Também comíamos. Alguns colegas, até então desconhecidos faziam um churrasco ao lado de nossa mesa.
23h30min. A cerveja já não parecia tão gelada. O seu cheiro não era dos melhores. Após provocações feitas pela aniversariante desaparecida tomei toda a cerveja que já nem espumava em meu copo, vomitei.
Para a minha surpresa fiquei até melhor que antes. Mais uma vez chamei Juninho, o garçom, e pedi para que me trouxesse uma outra cerveja. Tinha que tirar da boca o gosto ruim do vômito, bebi mais uma vez. Esta, por sinal, estava muito boa.
A mau lado, uma amiga me chamava para jogar sinuca, e, logo após levá-la pra casa. Fomos a procura do sinuca, não encontramos. Decidimos então...
00h00min.

2 comentários:

Rodrigo disse...

De fato, este não foi um dia qualquer,e infelizmente deste não pude participar, mas como esse virão outros e não faltarei.

Ted Sampaio disse...

Tomara que eu esteja lá para poder contar tudo pra vocês novamente. hehe